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A IMPORTÂNCIA DA PERFORMANCE DE UM LUBRIFICANTE

Escutamos várias vezes pessoas dizerem, este óleo é ruim, ou este óleo é um bom óleo. Existe o teste do dedo, onde escutamos supostos técnicos dizerem, este óleo é grosso demais ou fino e pode prejudicar o motor! O conceito de bom e mau, é um conceito abstrato. Um lubrificante que permite uma excelente lubrificação num dado equipamento pode ter comportamento inadequado quando aplicado noutro mecanismo. Para permitir enquadrar o lubrificante na sua função de lubrificação, utiliza-se o termo "performance". Define-se performance de um lubrificante como o seu grau de adequação a um ou vários equipamentos numa certa amplitude dos regimes de serviço. Sendo a escolha do lubrificante um processo que parte da máquina para a lubrificação e daí para o lubrificante, ninguém melhor que os construtores dos equipamentos (individualmente ou por intermédio de instituições que controlam e em quem delegam a parametrização dos níveis de performance) para serem eles a definir e classificar os atributos que os lubrificantes devem possuir para integrarem satisfatoriamente determinados tribosistemas. As companhias de lubrificantes, por sua vez, candidatam os seus produtos a licenciamento por parte de entidades reconhecidas afim de poderem invocar determinados níveis de performance. Os níveis de performance são estabelecidos segundo certas cotações de resultados de testes físicos, químicos e mecânicos, realizados em situações padronizadas de simulação do funcionamento das máquinas, utilizando o lubrificante candidato. Ao final do ensaio, são quantificadas as deformações e perdas de massa das várias peças verificadas durante o ensaio. Se os valores encontrados estão dentro dos parâmetros pré-definidos como correspondentes a um desgaste normal, o lubrificante é aprovado como tendo uma satisfatória capacidade anti-desgaste. Idênticos procedimentos são seguidos noutros fatores de apreciação da performance do lubrificante, como sejam a proteção contra a corrosão e a ferrugem, a detergência e dispersão das impurezas, a compatibilidade com os vedantes,... Alguns construtores exigem, ainda, uma comprovação de performance através de ensaios de campo, em que o lubrificante é testado em serviço real durante um certo intervalo de tempo. As classificações dos níveis de performance mais utilizados para os automóveis são, na Europa, as da ACEA (Association des Constructeurs Européens d''Autommobiles) e, nos Estados Unidos, as do API (American Petroleurn Institute). Alguns construtores europeus (como a Volkswagen, a Daimler Benz, a Volvo e a MAN, entre outros) exigem ainda testes próprios e cumprimento de requisitos adicionais.

MINERAIS E SINTÉTICOS QUAIS AS DIFERENÇAS

A diferença entre lubrificantes minerais e lubrificantes sintéticos encontra-se no tipo de bases utilizadas. Vejamos, agora, alguns dos fatores diferenciadores. Os hidrocarbonetos, presentes no petróleo bruto e extraídos deste, são combinações de átomos de carbono e de hidrogénio. Para utilização como bases minerais recuperam-se as frações pesadas do petróleo bruto onde se concentram as estruturas moleculares mais complexas (20 a 70 átomos de carbono com pesos moleculares entre 250 e 1.000) e que podem originar milhões de diferentes arranjos moleculares. Os arranjos moleculares dos hidrocarbonetos, além de variarem no tamanho da cadeia, têm configurações diferentes nas ligações entre os átomos. As cadeias moleculares podem ser perfeitamente lineares e saturadas (n-parafinas), lineares com ramificações e saturadas (iso-parafinas), cíclicas com ramificações e saturadas (nafténicas ou ciclo-parafinas) e, ainda, cíclicas com ramificações e não saturadas (aromáticos). Consideram-se como sendo quatro os pontos críticos dos vários arranjos moleculares tendo em conta a utilização como lubrificante: a geometria do arranjo, o tamanho da cadeia, a polaridade e a resistência. Os vários tipos de hidrocarbonetos (parafínicos, nafténicos e aromáticos) têm características e propriedades muito diferentes entre si. A predominância de um certo tipo de hidrocarbonetos presentes num determinado óleo-base (originado pela proveniência do petróleo bruto), assim este é designado como parafínico ou nafténico. O caso de bases aromáticas não se coloca, dado que as características dos hidrocarbonetos aromáticos são inconvenientes em termos de lubrificação. Por exemplo, os óleos base extraídos do petróleo bruto da Pennsylvania, nos EUA (parafínico), apresentam 75% a 78% de cadeias parafínicas, 13% a 20% de cadeias nafténicas e 4% a 10% de cadeias aromáticas. Nos óleos base nafténicos, como por exemplo os extraídos do petróleo bruto da Venezuela, encontramos menor percentagem de cadeias parafínicas e maiores percentagens de cadeias nafténicas e aromáticas. Comparando as propriedades das bases parafínicas com as das bases nafténicas, para uma viscosidade idêntica, verificamos que as parafínicas apresentam vantagens em termos de maior Índice de Viscosidade, menor volatilidade e maior resistência à oxidação, enquanto as nafténicas têm, como trunfos, um ponto de Fulgor mais baixo, um maior poder solvente e uma menor formação de resíduos carbonosos, sendo ainda mais macios. As bases são obtidas no refino segundo determinados cortes em que se separam frações de hidrocarbonetos diferentes nos tamanhos das cadeias moleculares. Tendo propriedades idênticas, subsistem algumas diferenças. As frações são mais pesadas (grupos de hidrocarbonetos de cadeias mais longas), aumenta a viscosidade e os resíduos carbonosos, sobe o ponto de Fulgor e diminui a volatilidade. A escolha entre os tipos de bases minerais e respectivas frações tem em conta a aplicação que determina as propriedades relevantes. Assim, para um lubrificante de motores, usam-se bases parafínicas, tendo em conta, sobretudo, a importância do Índice de Viscosidade. Quando se deseja formular um lubrificante para compressores frigoríficos, a opção recairá em bases nafténicas devido ao seu ponto de Fulgor ser baixo. Em qualquer caso, as frações a utilizar dentro da família de bases escolhida, dependerá da viscosidade final pretendida (normalmente, procede-se a uma mistura de uma base com uma viscosidade superior com outra de viscosidade inferior). As bases sintéticas utilizadas na formulação de lubrificantes são diversas. As de maior consumo são as "poli-alfa-olefinas" (PAOs), produzidas na indústria petroquímica, seguindo-se os esteres (obtidos na petroquímica ou a partir de óleos vegetais). As propriedades dos lubrificantes, melhoradas pela incorporação de bases sintéticas em vez das bases minerais, respeitam, sobretudo, a Índices de Viscosidade mais elevados, pontos de Fulgor mais baixos, maior resistência à oxidação e menor volatilidade. Quando se pretende um lubrificante biodegradável recorre-se à incorporação de esteres. Para lubrificantes não inflamáveis utilizam-se fosfato-esteres.